segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Netflix: a revolução já começou

Netflix: a revolução já começou

Com mais de 50 milhões de assinantes no mundo e uma saraivada de projetos anunciados apenas no último mês, o serviço de streaming desperta, de um lado, o interesse dos espectadores da TV convencional e, de outro, a fúria de canais pagos e do cinema, que veem na agressiva concorrência imposta pela Netflix uma mudança radical na maneira como se consome e se produz entretenimento, capaz de mudar para sempre a indústria da cultura

Sucesso de crítica e de público, 'Orange Is the New Black', sobre o dia a dia de uma penitenciária feminina, é exemplo da força do serviço de streaming

Sucesso de crítica e de público, 'Orange Is the New Black', sobre o dia a dia de uma penitenciária feminina, é exemplo da força do serviço de streaming - Divulgação/VEJA
"Nao assisto mais TV convencional". Victor de Oliveira, 22 anos, de São Paulo, tendem a se tornar um coro. Oliveira é parte de uma corrente migratória que só faz engrossar: a de espectadores que trocaram o controle remoto pelo botão de play dos serviços sob demanda. Encabeçada pela Netflix, empresa que começou a operar com aluguel delivery de filmes nos anos 1990, nos Estados Unidos, e hoje soma mais de 53 milhões de assinantes em busca da comodidade do streaming pelo mundo, essa corrente é o motor de uma revolução que já começou. A inclusão, no vocabulário do dia a dia, de palavras como Netflix, on-demand e streaming, tecnologia que permite ver um filme on-line sem precisar baixá-lo, no lugar de termos como grade de programação e intervalo comercial, é apenas um indício da enorme transformação iniciada. Mas há muitos outros.


Segundo uma pesquisa divulgada em setembro pela empresa Frank M. Magid Associates, 2,9% dos americanos assinantes de televisão via satélite e cabo afirmaram ter “grandes chances” de cancelar seus pacotes até junho que vem. Eles seguiriam nada menos que as 7,6 milhões de residências nos Estados Unidos que, pelas estimativas de um estudo publicado em abril pela consultoria Experian Marketing Services, teriam abandonado serviços tradicionais de TV e abraçado o streaming. Se pequenos quando comparados à quantidade de americanos adeptos da TV paga, 100 milhões, os números mostram, no entanto, que a consolidação de serviços de streaming já despertaram uma mudança sem volta no universo do entretenimento. com Veja
Sem volta – principalmente se depender da própria Netflix. A empresa, que ainda tem mercados a desbravar na Europa, onde estreou em 2012 em poucos países e só este ano chegou à França e Alemanha, está investindo pesado na produção de séries, e agora também de filmes, para ampliar sua base de assinantes, grande fonte de recursos de uma empresa que poupa espectadores da publicidade. Entre setembro e outubro, a Netflix anunciou uma saraivada de séries, uma ampla parceria com o ator Adam Sandler e a continuação do longa O Tigre e o Dragão (2000) com uma grande novidade: vai disponibilizar o filme para seus assinantes e, ao mesmo tempo, lançá-lo em cinemas selecionados em agosto de 2015. A reação do mercado ao anúncio foi imediata, com ameaças de cadeias de cinema de boicote à exibição da produção, porque ele pularia a chamada regra da “janela de lançamento”, segundo a qual uma produção só deve ser lançada para consumo doméstico de 13 a 17 semanas após a estreia nos cinemas.

“A ampla recepção de um serviço como o da Netflix incomoda a indústria tradicional, que é obrigada a repensar modelos de negócios”, avalia Vicente Martin, professor de mídia digital na ESPM. De fato. A Netflix também está sob a mira das redes de televisão por assinatura HBO e CBS, que anunciaram o lançamento de serviços de streaming com toda a sua programação para fazer frente ao crescimento do serviço de on-demand. No catálogo da CBS, disponível nos Estados Unidos desde 16 de outubro, estão séries como The Big Bang Theory e Criminal Minds por uma taxa de 6,90 dólares (17,74 reais) por mês. Já a HBO, a marca que carimba seriados como Game of Thrones e Girls, tornou públicos os planos de lançar um serviço de streaming independente dos pacotes de TV por assinatura em 2015, também nos EUA. A empresa já oferece uma plataforma de streaming, chamada HBO Go, mas apenas para assinantes de seus canais a cabo.

HBO e CBS se somam assim à barricada já erguida por companhias de negócios digitais, como a Apple, que desde 2005 disponibiliza nos Estados Unidos um serviço on-demand que permite ao espectador adquirir um único produto on-line – filme ou série, temporária ou definitivamente. No caso das séries, se a escolhida ainda estiver sendo produzida, o espectador recebe o episódio em casa no dia seguinte à sua exibição na TV. No Brasil, a empresa lançou, por ora, apenas uma parte desse serviço: aqui é possível comprar ou alugar filmes. Pode-se, por exemplo, pagar 46,26 reais para ter uma cópia em high definition (HD) de A Culpa É das Estrelas em casa, ou 12,83 reais pela possibilidade de ver o longa dentro de um período de 30 dias. Em standard definition(SD), o formato padrão, os preços são menores: 38,55 reais e 10,26 reais, respectivamente.

Outro rival surgido no meio digital foi a Amazon, que nos Estados Unidos conta com dois serviços para fazer frente à dona de House of Cards, iniciados de forma embrionária em 2005: o Prime Instant Video, uma plataforma similar à da Netflix, acrescida de vantagens como isenção do frete na compra de alguns produtos, e o Amazon Instant Video, um serviço como o da Apple.

Nos Estados Unidos, a Netflix ainda sofre a concorrência do Hulu e, no Brasil, do Now, serviço oferecido aos assinantes dos pacotes HD e HDMax da Net.

“É a história mais antiga do mundo: uma empresa inovadora sempre vai ter concorrência. Não tem jeito, o mercado segue as tendências”, afirma André Pérez, professor dos MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Educação e Comunicação. Dois caminhos, um objetivo.

Educação e Comunicação. Dois caminhos, um objetivo.
Prof. Dr. André Barbosa Filho
A educação sempre esteve progredindo a passos mais lentos que a comunicação. Pierre Bourdieu disse certa vez que a diferença de décadas neste avanço causava um forte sentimento de estranhamento nos aprendizes em razão dos métodos do ensinar estarem dessincronizados com o comportamento cotidiano.
Sábias palavras que, entretanto não podiam nem de longe preconizar que a aceleração e o consequente distanciamento das praticas de transmissão de conhecimento fossem ser revolvidas desde do profundo âmago das relações humanas.
O educador Paulo Freire que nunca foi um inimigo das tecnologias, ao contrário, como afirma o prof. Moacir Gadotti 'era o que ele mesmo se auto-proclamava, um menino conectado' alguém que ao mesmo tempo percebia a necessidade de realizar o que chamava de encontro de saberes e que deveriam dar vazão ao estudo conjunto das várias e diversas facetas culturais que formam uma nação.
Esta disposição em trabalhar para incluir sem deixar de avançar, na verdade e a mentalidade que precisamos desenvolver hoje. Perceber a sabedoria dos não letrados e leva-los pelas mãos através dos instrumentos de aceso as informações disponíveis e, por certo, um meio de aproximar educandos e educadores que como dizia o 'andarilho da utopia', faz de ambos, seres simbióticos onde o ensinar e o aprender se confundem em profundidade.
Aproximar cultura, educação, comunicação e tecnologia e corresponder nas praticas de transferência de conhecimento ao que Edgar Morin e sua Carta da Transdisciplinaridade produziram para nos guiar neste complexo universo do progresso humano.
Abraçar o plural, aceitar o novo, acatar os princípios, que como ensina Lao Tse, sempre estarão no mesmo lugar, não importa o cenário que se produza e se transforme ao seu redor. Assim, nossa intenção em realizar os produtos culturais interativos e no sentido freireano de criar ambientes cinéticos como a vida e, aproveitando a sabedoria do cotidiano, somá-la aos instrumentos digitais participativos.
Um exemplo concreto desta integração é o teste experimental que a EBC realizou em João Pessoa com cem famílias do programa Bolsa Família. Utilizando a TV Digital Interativa, aberta e gratuita, o programa Brasil 4D é a prova incontestável, como comprovam os dados levantados pelos pesquisadores do Banco Mundial (www.ebc.com.br/sites/default/files/brasil_4d.pdf) , de que se pode realizar com sucesso projetos que possam atingir objetivos como forma de diminuição expressiva do espaqço existente entre os diversos segmentos populacionais no Brasil.
Você já pensou como estão as relações humanas passados vinte anos do lançamento da Rede Mundial e da evolução das mídias sociais? Obviamente, falta perspectiva histórica para termos a compreensão de sua dimensão completa diante das profundas mudanças que estão ocorrendo.
Mas já é possível percebê-las. A intensidade das quebras de paradigmas e nas mentalidades já preconizam um novo ambiente de coexistência entre a oferta de inovações tecnológicas e seus agregados, os dispositivos, sejam portáteis, moveis ou fixos.
As pessoas já consomem o que lhes interessa e recebem as informações da maneira que lhes parece mais convenientes. Hoje não se pode afirmar que um serviço X será mais competitivo e que uma tecnologia seja matadora sem perceber se um grupo majoritário de indivíduos escolheu para suas necessidades esta ou aquela tecnologia sem risco de erro
As empresas estão criando centros de discussão onde o consumidor é o grande Guru e, por vezes, o elemento chave na concepção de produtos que possam ler os hábitos individuais e arriscar torná-los coletivos. Quebrou-se o conceito de escala industrial, substituindo-as por uma estretégia de nichos de interesse, de acordo com hábitos diferenciados de diversos grupos humanos, pelos quais se tem como estimar medidas e personalizar ofertas.
Está a industria preparada para esta "era do consumidor"? Tudo leva a crer que o mercado tem se esforçado para obter resultados no que se chama de cenário disruptivo. Porém o 'cenário disruptivo físico' , o dos processos industriais é forçosamente mais lento do que o criativo, o das "start ups", o da industria de conteúdos, mais proximos dos interesses dos individuos. Este é o grande desafio.
Outro ponto crucial. Estamos preparados ns universidades para ensinar e estabelecer praticas pedagógicas que possam fazer frente a esta realidade que se transforma em ritmo alucinante? Trabalhar num conceito de interdisciplinaridade, onde o conceitos como "produtos matadores" já não tem o mesmo a´pelo de de há poucos anos atras? Ou que a criatividade nos modelos de produção e de criação sejam revestidos de uma complexidade para a qual a teoria econômica da disruptura possa encontrar sua sustentabilidade nos processos de "tracking e analytics"?
Reunidos em Salvador, pró-reitores das universidades publicas brasileiras discutiram no seminário de educação e cultura nas Universidades este e outros temas relevantes da contemporaneidade.A preocupação é evidente. Alguns palestrantes revelaram seu desconforto com os novos paradigmas de comportamento revolucionário imposto a sociedade em razão das ofertas tecnológicas e tornam o modelo de cauda longa um conceito, vamos dizer, ultrapassado, modificado por estas disrupturas físicas e/ou crativo/digitais
Ha muito que aprender, planejar, propor. Mas é necessário incluir os temas certos e não ter receios. Ouvir os jovens é uma dos caminhos mais acertados. Vamos conhecer que pensam os quem estão dando as cartas: os indivíduos deste novo tempo camaleônico e multiplataforma.
O exame em profundidade das inovações e da mentalidade criativa dos meios em geral requerida pelas industrias como base para a satisfação das audiências ao lado do crescimento da demanda por serviços individualizados geram mostram que os modelos de produção devem ser tão inovativos e flexíveis quanto os caprichos dos indivíduos no momento da aquisição de serviços e produtos.
A revolução digital em andamento através dos meios virtuais está, na atualidade, no estágio 'disruptivo' de acordo com o autor McQuivey. Ele insinua: " Não tema esta disrupção " , se me permitem o anglicismo. "Este processo disruptivo é bom", acrescenta. "Os produtores de conteúdo e distribuidores de produtos audiovisuais devem obter vantagens deste novo vetor de consumo produzido de modo bem expressivo atrás destas mudanças radicais de comportamento e que estão acontecendo em velocidade muito rápida”
O autor propõe que a palavra de ordem seja: "seja disruptivo, quebre os conceitos, ouse criando diante do que não foi oferecido, produza protótipos e novas idéias estudando as necessidades e possíveis lacunas existentes para oferecer o inusitado".
As redes de infraestrutura quanto os dispositivos devem ser ubíquos, ou seja, alguma coisa ou alguém que está ao mesmo tempo em toda a parte ou sob o ponto de vista computacional, seria a capacidade de estar conectado à rede e fazer uso da conexão a todo o momento. Sintetizando sua proposta o pesquisador da Forrester Research afirma que "Estas estruturas onipresentes que os consumidores têm assimilado tão rapidamente formaram novas plataformas digitais através das quais as empresas de qualquer setor podem fornecer valores e produtos para estes públicos"
Será que a mentalidade inovadora, disruptiva, chegou ao Brasil? Será que o uso desagregador, disruptivo, que leva a tudo a outras direções e resultados está no âmago dos nossos executivos na industria da comunicação, na radiodifusão e até nas telecomunicações?

sábado, 8 de novembro de 2014