quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Bebes desenvolvem linguagem e significacao antes de falar


Grupo estuda linguagem, significação e comunicação em bebês
Grupo acompanhou cerca de 40 crianças com até 13 meses e verificou que, desde muito cedo, elas são capazes de interagir e expressar-se de forma adequada
Getty Images
Criança chorando
Criança chorando: emoção serve de diálogo sem palavra, representando uma forma de comunicação que abrange todo o corpo do bebê e não apenas o rosto e a voz



O ser humano é um “ser da linguagem”. Desde o nascimento, e muito antes de aprender a falar, já é capaz de dialogar e de negociar com parceiros – sejam eles adultos ou outros bebês – por meio de olhares, gestos, posturas, vocalizações e outros recursos próprios da idade. Todo o seu corpo é meio de apreensão, expressão e significação.
A análise é da especialista em Psicologia do Desenvolvimento Humano Kátia de Souza Amorim, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), ligada à Universidade de São Paulo (USP). A pesquisadora coordenou um projeto de pesquisa apoiado pela FAPESP, cujo objetivo foi investigar se e como ocorriam processos de significação e de linguagem nos dois primeiros anos de vida.


Amorim coordenou também outra pesquisa outra pesquisa sobre corporeidade e significação em processos desenvolvimentais no primeiro ano de vida.

“Usualmente, tem-se a ideia de que os bebês apenas dormem e mamam e, quando se expressam, tudo não passa de uma descarga emocional. Mas nossos estudos mostram que, na verdade, os bebês desde muito cedo já são capazes de se expressar de maneira culturalmente adequada”, disse Amorim.

“Isso não quer dizer que eles entendam os significados das palavras pela cognição, pelo intelecto, mas apreendem seu significado nas relações, dentro do ambiente. Por meio de recursos particulares, percebem o meio e agem sobre ele, sendo capazes de dialogar com o outro, mesmo que em um diálogo mudo”, afirmou.



Para chegar a essas conclusões, a pesquisadora e seus colaboradores acompanharam cerca de 40 crianças com até 13 meses em diferentes relações e contextos: casa, creche e instituição de acolhimento (abrigo). A interação dos bebês com familiares, cuidadores e com outras crianças, inclusive pares de idade, foi gravada e posteriormente analisada pelos cientistas.

com: agencia Fapesp

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Rio quer montar 14 estudios audiovisuais para produzir filmes e series


Rio quer construir 14 estúdios para a produção audiovisual até 2016

O investimento de R$ 150 milhões no audiovisual que a cidade do Rio de Janeiro recebeu nos últimos quatro anos criou uma situação em que a demanda por estúdios e profissionais qualificados tornou-se maior que a oferta. Por isso, a cidade vai expandir o Polo Cine & Vídeo, na Barra da Tijuca, e a construção de um espaço de produção, a Cidade do Audiovisual, em São Cristóvão.

"Verificamos a necessidade de fazer um investimento para acompanhar o crescimento de produção", diz ao UOL o presidente da RioFilme e secretário municipal de Cultura, Sergio Sá Leitão.



Mais voltado para o cinema e a publicidade, o Polo da Barra deve ganhar oito novos estúdios. Atualmente, já há oito no local. Mais voltada para as produções de TV, a cidade do Audiovisual deve contar inicialmente com seis estúdios. A Cidade do Audiovisual ocupará os 14 mil metros quadrados do terreno do quartel da Guarda Municipal em São Cristóvão, que será transferido para Botafogo.

Tanto a expansão do Polo da Barra quanto a criação da cidade do Audiovisual serão feitas com dinheiro privado por meio de licitações. A licitação do polo sairá em outubro, e a de São Cristõvão até o final do ano. O polo deve contar com um investimento de R$ 80 milhões e a Cidade do Audiovisual com R$ 25 milhões. 

Como a demanda também é por pessoas qualificados, a prefeitura do Rio de Janeiro está firmando parcerias com escolas e universidades para a capacitação de profissionais. A partir de 2014, a PUC do Rio passa a oferecer uma pós-graduação de roteiro, ministrada por professores da Universidade de Columbia, de Nova York.



Segundo Sá Leitão, 900 profissionais, como roteiristas, animadores, eletricistas, marceneiros, cenógrafos, foram formados neste ano. A intenção é que o número suba para 1000 em 2014.

Segundo o secretário, a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 contribuem ainda mais para o aumento dessa demanda. "Há uma intensa cobertura de televisão antes e depois desses dois eventos. Algumas redes fazem cobertura 24 horas o que gera uma demanda por estúdios e profissionais locais".

Com o investimento nos dois locais, a expectativa é que a cidade concentre mais de 50% da área de estúdios independentes do país, que não estão ligados a empresas como Rede Globo e Record. Hoje, essa capacidade é de 29%.

Maioria ve mulher retratada como objeto na TV


58% veem mulher retratada como objeto em anúncios de TV, diz estudo
Maioria também acha que padrão de beleza mostrado é longe da realidade.
Pesquisa foi feita pela Data Popular e Instituto Patrícia Galvão.



A mulher é retratada como um objeto sexual, "reduzida a corpo e bunda", nas propagandas de TV para a maioria das pessoas, segundo uma pesquisa feita pelo Data Popular e o Instituto Patrícia Galvão.

Apesar de o retrato da mulher na TV mais percebido ser o de mulher ativa e independente (67%), ela é mostrada como objeto sexual, "reduzida a corpo e bunda", para 58% dos entrevistados.


Pesquisa perguntou o que as propagandas na TV mostram, em %
Concorda
Discorda
Não concorda nem discorda
A mulher da vida real
25
56
19
Padrão de beleza muito distante da realidade
65
17
18
Usam o corpo da mulher para promover venda de produtos e serviços
84
4
12



     





Para 51%, a mulher retratada nas propagandas de TV é a profissional bem-sucedida; para 46% é a mulher que tem corpo bonito e é inteligente; para 20% é a mulher dona de casa; e para 16%, a mãe e esposa carinhosa.

Além disso, 84% dos entrevistados dizem que as propagandas na TV usam o corpo da mulher como chamariz para promover a venda de produtos e serviços. Só 4% discorda e 12% não concorda nem discorda.



Para 70%, as propagandas que mostram a mulher de forma ofensiva devem ter seus responsáveis punidos.

Os entrevistados também dizem não ver "a mulher da vida real" nas propagandas de TV. Segundo a pesquisa, 56% acham que as propagandas na TV não mostram a mulher real e 25% veem os anúncios como um retrato fiel.



A maioria aponta que propagandas na TV mostram um padrão de beleza muito distante da realidade da brasileira e que as mulheres sentem-se frustradas quando não conseguem ter o corpo e a beleza das mulheres mostradas nas propagandas na TV : são 65% e 60%, respectivamente.

Só 17% não veem o padrão de beleza da TV como muito distante da realidade e 18% não concordam nem discordam. Entre os entrevistados, 18% não acreditam que as mulheres se frustrem por não ter o mesmo padrão de beleza dos anúncios de TV e 22% não concordam nem discordam.



Mais de 60% dos entrevistados consideram que as propagandas na TV não mostram as mulheres que, além de ser esposa e mãe, também trabalham e estudam e cerca de 23% apontam que as mulheres com esse perfil são retratadas.

Quanto ao retrato da inteligência da mulher nas propagandas, 35% dizem nunca ver a mulher sendo apresentada como uma pessoa inteligente em propagandas na TV e 43% discordam disso.



A pesquisa mostra que a maioria dos entrevistados gostariam de ver mais mulheres negras retratadas nos anúncios de TV (51%), morenas (67%), mulheres com cabelos crespos ou cacheados (53%), com olhos escuros (56%), maduras (55%) e de classe popular (64%).

Os entrevistados também dizem que as propagandas de TV mostram mais loiras (73%) e na vida real a maioria vê mais morenas (63%). O mesmo acontece com os tipos de cabelo: na vida real 53% apontam que há cabelos cacheados e nas propagandas só 17% acham que este tipo é mostrado, contra 83% de lisos.

Na TV, 87% acham que as mulheres retratadas são magras, já na vida real, 55% tem esse biotipo. Quanto à idade, 78% veem na TV mulheres jovens, mas na vida real elas representam são o retrato para 48%.




“A irrealidade da representação da mulher é percebida pela absoluta maioria e há uma clara expectativa de mudança. Aqui se revela um paradoxo: se pensarmos a partir da lógica de mercado, pode-se dizer que anunciantes e publicitários, em razão de uma visão arcaica do lugar da mulher na sociedade e de um padrão antigo de beleza, não estão falando com potenciais consumidoras”, diz a diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo.


Para o diretor do Instituto Data Popular, Renato Meirelles, o principal mérito da pesquisa é mostrar como as empresas perdem dinheiro com a representação distante da realidade, uma vez que as mulheres movimentam hoje, no Brasil, um mercado consumidor de R$ 1,1 trilhão por ano e determinam 85% do consumo das famílias, segundo dados do próprio instituto. “Não estamos falando de um nicho consumidor, mas do principal mercado consumidor brasileiro. Então, há uma miopia do ponto de vista de oportunidades de negócios”, considera.



A pesquisa foi realizada com 1.501 pessoas em 100 cidades do país, em maio deste ano.