quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Respondendo questões acadêmicas

Tenho sido procurado por alguns alunos de mestrado e doutorado, interessados .em pesquisar temas sobre TV Digital (TVD), Operador de Rede, Convergência e Conteúdos Digitais.
Escolhi uma série de perguntas para responder e que, talvez, possam , igualmente satisfazer estes alunos, como, também, aos seguidores deste blog.(hoje um pouco mais longo fato pelo qual, antecipadamente me desculpo)

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Sendo o Brasil um país com enorme complexidade social, cultural e econômica, quais as estratégias que a EBC tem buscado para inclusão social por meio da TVD?

A questão da inclusão social  por meio da inclusão digital é um desafio para os países as diferenças econômicas ainda são um obstáculo a obtenção universal ao acesso a participação de todos os segmentos aos benefícios dos instrumentos digitais de informação, entre estes, a TV Digital. Acreditamos que a TV Digital Terrestre, aberta e gratuita é uma solução eficaz e insubstituível nestes países em desenvolvimento, cuja margem de oferta de infraestruturas de transporte de dados e conteúdos audiovisuais  por  platafaformas IP ainda é insuficiente. Em razão disto a EBC vem sendo um esteio na defesa desta proposta de disseminação da TVD com tecnologias de interatividade.

O modelo de televisão pública da EBC contempla o projeto de TVD?


Vamos pegar o caso brasileiro.  Só as emissoras públicas federais podem, em virtude de preceito constitucional, exercer o direito de explorar as bondades da TV Digital Terrestre em sua plenitude. A razão disto é que por estar expresso nos artigos 121 e seguintes da Carta Magna, as emissoras pertencentes aos poderes da União tem a prerrogativa reconhecida  de explorador direto dos serviços de sons e imagens e sonoro de radiodifusão. Assim, segundo a interpretação dos juristas e em virtude da regra da hierarquia das normas, tal designação não pode ser alcançada pela lei de radiodifusão, combinação dos diplomas de 1962 e 1967, ainda em vigor, apesar de a anacrônicas e só afeitas aos demais concessionários.
Pode a EBC, por este entendimento, realizar projetos de multiprogramação e interatividade com canal de retorno, até então, não autorizados aos  radiodifusores comerciais ou educativos e públicos não federais. E assim promover a participaçãopor estes instrumentos da inclusão digital pela TV aberta e gratuita. 

De que forma os profissionais da EBC estão sendo preparados para atuarem no projeto da TVD? 

Estamos não apenas capacitando e formando nossos profissionais jornalistas e produtores artísticos no mundo da TV Digital digital como, também, aos profissionais latino-americanos e africanos beneficiados pelos programas de cooperação mantido pelo Brasil com os países que adotaram o sistema nipo-brasileiro ISDB-T, seja pelo uso de nosso laboratórios de interatividade, seja pelos cursos oferecidos pelo programa da Agencia Brasileira de Cooperação em cooperação com a Universidade Católica de Brasilia. Claro, que esta oferta ainda está restrita a Brasilia.

E no caso do canal de outros estados como o  Maranhão  existe um foco específico?

ideia da EBC é estar presente em todos os pontos onde mantém geradoras e posteriormente estender este programa de apoio profissional as demais praças onde mantemos acordo com afiliadas a nossa programação. Estamos caminhando a passos largos para em médio prazo capacitar interessados em aprender a linguagem televisiva digital e interativa, inclusive com a o aumento da capacidade técnica e física de nosso laboratório de aplicativos e conteúdos digitais.   

Existe alguma parceria formalizada entre EBC e demais canais públicos (TV Senado, TV Câmara, NBR, TVs Assembleias) para maior acesso da população aos aplicativos de prestação de serviços junto ao INSS, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Ministério da Saúde etc?

Sim, o acordo 'guarda-chuva' foi firmado pelos poderes da União em 2010 e está em vigor. E agora, por meio de convênio estamos iniciando trabalhos conjuntos em nível de provas de conceito com o Banco do Brasil, Ministério da Saúde, Desenvolvimento Social e Trabalho. Nosso interesse e dos nossos parceiros institucionais é o de ampliar estes esforços em direção a todos os órgãos do poder público, incluindo-se aí, os poderes estadual  e municipal.  

Como está funcionando atualmente o serviço de acesso por meio de aplicativos? Existe um cronograma de acesso por regiões ou cidades, em específico?

Como disse acima estamos na fase inicial de testes e especificamente estamos promovendo provas de campo em João Pessoa na Paraíba  com o apoio da Universidade Federal local onde estamos testando em 100 residências de beneficiários do programa Brasil Sem Miséria, todas as facilidades da TV Digital terrestre interativa. Foram criados, para tanto, uma serie de videos interativos que servirão como tutorial para o uso da interatividade por este segmento da população com a finalidade apresentar e permitir o uso de serviços públicos oferecidos pelo poder público como a confecção de documentos, acompanhamento de benefícios previdenciários, ofertas de empregos, introdução nos programas de saúde, etc.
Os resultados serão auditados e consolidados pelo Banco Mundial através de seus consultores o que resultará em um relatório com os resultados advindos dos impactos econômicos e sociais  mensurados no decorrer deste programa.

 Quais as metas da EBC em se tratando de TVD e inserção social por meio de aplicativos?

A principal,  sem dúvida, é comprovar e efetivamente realizar a inclusão digital via TV Digital aberta oferecendo a porta de entrada aos brasileiros menos favorecidos o uso das tecnologias digitais interativas, preparando-os para a chegada inexorável da oferta de outros serviços e plataformas digitais como a Internet Banda Larga

O Ginga atende plenamente o projeto de serviços ofertados a população via TVD?

Os testes a que me referi vão confirmar, por certo, nosso entendimento de que se trata de um padrão moderno, primeira e única tecnologia, até o momento, genuinamente nacional a ser aceita como padrão recomendado e homologado   pela União Internacional de Telecomunicações.

A EBC já dispõe de dados sobre a aceitação dos serviços via aplicativos?

Teremos em breve tais números, ao longo do desenrolar dos testes que estamos realizando. 

Hoje, como está o projeto da Operador Único da Rede Nacional de TV Pública Digital Terrestre (RNTPD)?

O Operador de rede  é, por certo, o instrumento de socialização e distribuição dos canais públicos federais para todo o País e permitirá, se realizado segundo os planos da EBC, num instrumento de disseminação da TV Digital,  pois suas torres poderão carregar, não apenas outras antenas de emissoras públicas e comerciais, como, também, vetores de serviços de telecomunicações. Estamos em fase de conclusão dos estudos dentro do governo e, por certo, as autoridades devem se pronunciar a respeito.  

Qual o modelo de canal de retorno previsto pela EBC?

A TV Digital brasileira, através do desenvolvimento de suas normas harmonizadas e adaptadas pelo Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital prevê várias possibilidades tecnológicas para a utilização do canal de retorno. Seja em ambiente da telefonia fixa ou móvel, sejam as transportadas via IP, é possível o uso de uma  plêiade de conexões que permitam a bidirecionalidade da informação adaptada as produção televisivias.  

Comente a possibilidade de ser criada uma empresa pública para prover serviço de acesso a Internet via rede elétrica, principalmente às comunidade de mais carentes. Esse projeto ainda pode se tornar realidade? 

A questão, inclusive, bem noticiada pela imprensa, está em discussão pelos Ministério das Comunicações e a Eletrobrás, a pedido da Presidenta Dilma Rousseff. Nos parece ser um excelente alternativa para o acesso universal e massificado dos serviços de banda larga no Pais. O Smart Grid está nos planos do governo federal como alternativa boa e barata aos serviços de Internet rápida

Espero ter, com tais exposições, satisfeito, mesmo que superficialmente,  aos interesses dos que querem conhecer um pouco mais sobre o desenvolvimento da TV digital no Brasil, envolvendo atores como a EBC e os demais parceiros na boa batalha pelo uso desta rede informativa gratuita com os atributos da digitalização.
  

domingo, 25 de novembro de 2012

"Start-ups". Por que o Brasil não tem um programa de alavancagem?

Tive a felicidade de poder compartilhar, setembro último,  com cerca de 1200 pessoas de todo o mundo, o seminário sobre 'Tracking" realizado pelo Midia X, famoso centro multidisciplinar de investigação da Universidade de Stanford,  em Palo Alto, California, EUA.

Impressionante como as coisas estão caminhando nestes centros de referência de pesquisa de ponta, especialmente nos Estados Unidos. O `tracking' , na verdade, o acompanhamento sistemático de atividades individuais ou coletivas baseadas em métricas e análises matemáticas, tem sido, como me informaram os responsáveis por este programa quase que uma obsessão.

 3D Cerebral Tracking
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Pesquisa-se comportamentos diante, por exemplo, o uso cotidiano do café, da atividade cerebral quando da aplicação individual dos aparelhos anti-apneia, como os CEPAPs, do uso dos meios de comunicação e sua referência como atividade compulsiva;  bem, ficaríamos horas e horas descrevendo e remorando os tipos de 'tracking' apresentados no seminário.

Esta metrificação, primeiramente, elimina achismos sobre os fatos que, por vezes, acreditamos ser de um modo, meramente por intuição ou associação e que tem, de fato, outra conotação ou direção. Estas estatísticas e resultados na área das ciências humanas tem efeito explosivo. 

No caso da medição de audiência tantos no meios digitais, especialmente junto às redes sociais, como nos meios de comunicação de massa, hoje também se digitalizando mundo afora, esta situação se potencializa. Temos em preparação e aqui há uma contribuição bem brasileira, destacando- se aí  os esforços da Intacto de Brasilia

Cai por terra , e já mencionei de passagem este tema neste blog  a credibilidade dos 'people meters'  instrumentos utilizados pelos institutos de medição de audiência , pois estas novas métricas, aplicadas aos instrumentos de software embarcados nos terminais residências,  medem com fidedignidade quantas pessoas estão diante do aparelho receptor de TV ou computador, ou tablets ( nestes casos, onde se está conectado a WEB as audiências são individuais e ai a questão se trata da medição de 'likes' ou reputação do portal ou sitio )

Isto através de sensores de calor ou de luz. E vem aí os braceletes com sensores que podem medir a emoção demostrada pelos usuários do meios. Estamos a beira, percebam, de uma grande revolução, inclusive nas regras de produção de conteúdo. Muitas crenças sobre o que fez ou não sucesso, formatos, etc, vão desabar. 

Isto está pulsando e se expandindo com muita rapidez nos Estados Unidos, alimentados pelos 'anjos' da alavancagem, investidores que promovem as start-ups, empresas de pequeno porte e voltadas especialmente, mas não exclusivamente,  para este novo mercado em volta das tecnologias digitais. E nesta esteira vem o desenvolvimento científico, portanto, a inovação em si, agregado ao crescimento e diversidade da produção industrial,  com a garantia para brasileiros, dos registros internacionais de propriedade intelectual.



Seria interessante termos um amplo programa de start-ups no Brasil,  com interveniência do poder público e  sob a inspiração e operacionalidade da iniciativa provada, injetando a necessária sustentabilidade aos negócios e estimulando aquilo que, entre nós,  já uma realidade,  ou seja, as pequenas e médias empresas são as maiores contribuidoras para o nível de emprego no País. 

Isto não é novidade. Mas um programa para novos empreendedores não pode ficar somente na alça do Sebrae, das iniciativas sazonais do BNDES, dos esforços do MCTi e do MDIC. Tem que tornar-se politica de Estado. 

sábado, 24 de novembro de 2012

Planejar a comunicação. Isto é possível?

Vários países do mundo tem tido resultados apreciáveis em relação a oferta de infraestrutura,  implantação de políticas regulatórias de uso de espectro e projetos integrados de politicas de desenvolvimento industrial.

O Brasil e a maioria dos países emergentes tem tido dificuldade em estabelecer tais parâmetros por que não tem lançado mão de ações de de planejamento econômico e e estrutural que dê conta da equação orçamento fiscal e distribuição de tarefas de médio e longo prazo e que respondam a estes grandes desafios.

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Todos se recordam de que quando estávamos em pleno processo de decisão para adoção do sistema de TV Digital terrestre para o Brasil  lá por volta de 2004 e 2005, muitas máximas eram levantadas, vamos assim dizer, como verdades absolutas, indiscutíveis.

Por exemplo, tínhamos perdido o 'bonde" para ingressarmos com êxito na disputa internacional por investimentos em plantas industrias que concretizassem no País, o eco-sistema dos semicondutores. Até por que havia sido este o entendimento anos antes quando empresas do setor, instaladas no Brasil, fecharam as portas por não haver uma politica integrada para elas, motivadas pelo consenso geral de que os investimentos haviam migrado para Ásia e ponto final. 

A nossa politica de ocupação do espectro radioelétrico, bem escasso e finito, sempre pautada pelos interesses das corporações e arranjos de mercado, ficou ao largo da discussão de temas de interesse nacional, tanto no Citel como na UIT, órgãos de recomendação das políticas regionais e universais de telecomunicações e radiodifusão.

Este fato  repercute ainda hoje, sob o manto da integração global, nas decisões soberanas do Brasil quanto as relações de ocupação das frequências para a radiodifusão e telefonia celular, o uso de tecnologias e a concorrência aberta e leal das implementações de produtos, baseados em especificações fora do eixo dos países desenvolvidos.

Lembro-me que era voz corrente em nosso setor, o investimento do Japão, realizado entre 1999 e 2001  e dirigido ao rearranjo do espectro radioelétrico,  trabalho que custou aos cofres japoneses a bagatela de 2 bilhões de dólares. Com isto os nipônicos puderam dar vazão ao seu "Integrated Services", constituintes da sigla ISDB que com seus braços integrados, resolveram questões de relacionamento entre tecnologias, permitiram a convivência de plataformas de modo inteligente e otimizado.

Sempre é relevante falar de exemplo como os da Coréia que com seu processo de investimentos maciços em educação, realizado nos 70 e a politica de valorização de empresas e marcas nacionais, apresenta para o mundo números exuberantes da universalização dos serviços de banda larga, com 100% de cobertura e com taxas médias de tráfego de dados, superiores a 100Mb.

É claro que são situações distintas, incomparáveis, mas é sempre bom saber como se dão as coisas em países, cujas regras são avaliadas sempre com a ótica das politicas de Estado.   

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Direito à comunicação, democracia e convergência tecnologica. Realmente queremos tudo isto?

A Câmara dos Deputados inicia hoje o seminário internacional "Direito à Comunicação, Democracia e Convergência Tecnológica", com coordenação da Deputada Federal Luiza Erundina.

A questão é crucial.  A sociedade brasileira vem escorregando em não discutir estes temas fundamentais para o equilibrio das responsabilidades ligadas  ao ato de informar e de suas consequências medidas pelos direitos e obrigações individuais e coletivas.

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Num apanhado muito superficial, lembramos aos que encaram estes esforços como motivação  ideológica de grupos de esquerda  em censurar e amordaçar os direitos à informação,  que nos Estados Unidos  o olho do Estado sempre esteve presente na determinação de regras. Estas não permitem posições  hegemonicas de mercado, propriedade cruzada, garantindo o respeito a livre expresssão, seja pelo ordenamento constitucional da emenda nº 1, seja pela intervenção do FCC, instituição pública que discute e recomenda regras a comunicação de massa e, agora, adentra ao debate sobre as redes sociais, transporte de dados e compatilhamento de infra-estruturas.

A Europa, sempre preocupada com as questões de interesse coletivo, tem regras que variam de estado para estado, mas que, com certeza, carregam principios comuns na discussão da defesa da neutralidade de rede, dumping , concentração de propriedade de plataformas, entre tantos temas de amplo alcance nas relações negociais, e especialmente, as que envolvem direitos de cidadania.

A America Latina, e me desculpem os que não tem a mesma  linha de raciocínio, teve históricamente um desequilibrio muito forte entre poder e direito à informação, representado por todos os problemas vivenciados por faltas de regulamentação de atividades, do descompasso na atualização das leis e na simbiose entre poder ditatorial e beneficiamento de corporações.

Grupos hegemônicos ainda tomam conta de quase a totalidade das verbas publicitárias,  evitando a todo custo, discutir temas sobre ocupação do espectro radioelétrico, tratando-os como moeda para garantir investimentos. Soma-se a isto que a questão do debate da convergência tecnológica que sempre está passando ao largo dos interesses públicos e, portanto, adiando e/ou setorizando o acesso a atualização e dos serviços com consequências perversas de caráter econômico e social.

Este não é, reitero,  um debate simplesmente ideológico.  

O entendimento é de que formadores da opinião pública e concessionários de servicos de radiodifusão e telecomunicação, aliados as empresas que prestam serviços de caráter privado, devem respeito, baseados na Carta Magna,  nas regras civis e penais e na LGT, ao público a que servem. E, não raro, parece  que esta obrigação fica em segundo plano se considerarmos os interesses empresariais e corporativos. 

Por esta e por outras razões que se estedem  ao próprios compromissos pela boa, segura e econômica prestação de serviços aos usuários, ao uso nefasto dos meios pela deformação da informação, induzindo o público a receber a informação sobre fatos com recorte de opiniões oportunistas e interesseiras, sem direito a contestação e sem a devida busca desinteressada pela verdade dos acontecimentos é que a sociedade precisa discutir, sem medos e paixões regras que possam regulamentar estas práticas.

E não esquecer que tudo isto está ligado diretamente ao planejamento de politicas industriais, de investigação científica e, sem dúvida,  a obediência ao interesse dos menos afortunados. Desafio que conduzirá, se obtivermos êxito, ao respeito internacional e à certeza da apropriação interna do reconhecimento aos valores de igualdade de oportunidades e da nobreza de intenções.  

E não permitir, repito, como já o fazem os paises mais ricos, que haja empresas beneficiadas pela concentração e verticalização, se impeça a entrada de  novos entrantes ao jogo da comunicação,  que não se permitam práticas abusivas e que se estimule a diversidade de opiniões.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

1,1 bilhão de telefones inteligentes no mundo. E vai triplicar até 2018

O número é incrivelmente enorme. Em estudo divulgado nesta quarta feira pela empresa sueca Ericsson e divulgada no portal G1 "o número de aparelhos celulares com conectividade 3G e 4G - os famosos smartphones -  em uso no mundo vão chegar a 1,1 bilhão em 2012 e alcançar números três vezes maiores em em 2018."

Acrescenta o portal: "Baseados em medições de tráfego em cerca de 100 redes móveis no mundo todo, somando ao dados de todas as assinaturas móveis (de voz e dados) em dispositivos como celulares, smartphones e tablets", diz a matéria do G1 , "teremos no planeta cerca de 6,6 bilhões de dispositivos no final de 2012 e 9,3 bilhões em 2018".

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Este número planetário é quase igual ao número de acessos que teremos até 2016, multiplicando por quatro o atual cenário e que deve dobrar a cada ano.  

Estes números retumbantes mostram como os telefones inteligentes e a tecnologia dos serviços de telecomunicações móveis serão utilizados em abundância em todas partes do mundo. 

Cabem entretanto, algumas perguntas concernentes a estas previsões: 

1. Estes 9,8 bilhões de dispositivos estarão disponíveis para todos os quase 7 bilhões de pessoas que habitam a Terra? - claro, descontando as que, por motivos óbvios, como crianças em tenra idade e descapacitados, não os utilizam.

2.Que uso fazem destes dispositivos? Veem correios-eletrônicos, mandam mensagens, baixam vídeos e áudios, quais são os perfis de utilização destes equipamentos?

3. Quem financiará a compra destes dispositivos aos públicos de baixa renda em todo o mundo? São 4.6 bilhões de pessoas sem acesso a Internet no mundo. E mais: Quem financiará o uso do bit por segundo para o uso de tráfego de dados pelas camadas populacionais deprimidas no mundo?

4. Estamos preparados para produzir conteúdos audiovisuais para estas telas pequenas?

5. Estaremos reproduzindo mais uma vez o mesmo cenário de concentração destes dispositivos nas regiões mais desenvolvidas no mundo? 

6.Alguém percebeu que estes cenários estão mudando? Mas que não estão mudando as regras do jogo?

7.Que culpa tem os países emergentes e em desenvolvimento em não ter políticas de desenvolvimento cientifico para participar do butim promovido pelos detentores das propriedades intelectuais que fazem com que, em seus países os custos deste eco-sistema sejam mais baixos?  

Na verdade, estes são números muito interessantes e consolidam tendências. 

Mas como disse o executivo da Ericsson, o Sr. Cerwall e aqui mais uma vez copio o texto publicado no portal G1 de hoje: "a demanda por vídeos nos dispositivos móveis (smartphones, tablets ou notebooks) é um alerta às redes de dados das operadoras. "Metade do tempo em que o usuário assiste a vídeos ou à televisão já se passa fora de casa, em locais que exigem internet móvel. Não são as redes que estão ficando ruins, mas os usuários que estão exigindo mais das redes" 

E uma perguntinha que passa ao largo: 

Se tivéssemos dado mais importância no País ao dispositivo One-Seg permitido pela modulação BST-OFDM  e utilizado pelo sistema nipo-brasileiro de TV  Digital, ISDB-T talvez estaríamos, como no Japão e, analogamente, pela Coreia ( utilizando outros sistema ) criando valores e recursos novos para radiodifusão no mundo convergente que vivenciamos com as transmissões de TV para dispositivos móveis e portáteis. 

Mas quem é que disse que as operadoras de serviços de telecomunicações querem  conversar sobre este tema?

Tudo é tão difícil quando poderia ser tão simples...Santa ingenuidade....


terça-feira, 20 de novembro de 2012

África, a velha-nova fronteira

O continente africano tem sido por séculos, alvo de disputas e ambições desmedidas. Isto tem acarretado um atraso no desenvolvimento econômico e nas condições de vida do  homem africano que não se pode mais tolerar num cenário planetário em plena era da sociedade do conhecimento.
As questões cruciais e imediatas como distribuição de alimentos, saneamento básico e oferta de qualificação e instrução tem tido como obstáculos intransponíveis o uso perverso da manutenção de um estado de ignorância estendidos à falta de estimulo a consciência dos direitos e obrigações individuais e coletivos.

 
Enquanto a sociedade letrada da Europa recebeu, considerando-se uma escala cronológica de obtenção da informação pela disseminação do saber, inicialmente  Gutenberg e a imprensa e em seguida, a chegada da comunicação de massa com as transmissões rádio e a da televisão, vê agora o alvorecer do mundo digital através da maravilha da Internet e das redes sociais. São as ondas descritas por Alvin Tofler.

A América Latina, por exemplo, não vivenciou em sua plenitude, o primeiro estágio de obtenção do conhecimento proveniente dos livros como dimensão pedagógica e educacional universal. Teve nas emissões de radiodifusão seu principal canal de informação coletivo e agora entra, com as conhecidas dificuldades de sua massificação, no mundo dos bites e bytes.

 A África, no entanto, considerando-se a exclusão de nichos mais desenvolvidos, não conheceu livros e teve, no rádio e na Televisão, apenas um ensaio de acesso ao saberes. Alguns países ainda apresentam baixas taxas de cobertura de TV, tendo no rádio seu principal veículo com percentuais que beiram a 50% de penetração.

A grande oportunidade africana  está, sem dúvida, em eliminar estas etapas e entrar diretamente no mundo digital e convergente. Como seria este desafio de enormes dimensões, possível e realizável? 
Muito se tem discutido sobre TV Digital Terrestre, aberta e gratuita e seu uso interativo como um novo instrumento de participação, de acesso à informação e a introdução do publico ao mundo ligado em rede em tempo real. 
Se hoje a TV analógica terrestre aberta se utiliza de meios de comunicação como telefone, Internet e fax para fazer com que o telespectador participe indiretamente de sua programação, com a TV Digital a convergência destas mídias (telefone, internet) passará a concretizar o diálogo entre o telespectador e a programação da emissora, através de dados recebidos e armazenados nas caixas de conversão de sinais digitais ou Set Top Box. E, acima de tudo, por um canal de retorno que possibilite a interatividade plena, bi-direcional. 
Seria plausível, para otimizar os investimentos,  aproveitar e na maioria dos casos construir para ampliar as redes de radiofusão existentes, para que, com suas torres reforçadas, abrigassem, também, transmissores de sinal de telefonia móvel e assim, disseminar os sinais convergentes.
É caro. Sua confecção será lenta. Mas vale tentar.
Recursos internacionais poderiam ser utilizados para matar a fome de conhecimento tão perversa quanto a apocaliptica fome por alimento. E assim qualificar o individuo, tornar possível  o implemento da cidadania, travando o bom combate contra a dominação e a ignorância.
Com a oferta de infra-estrutura através de rede de operação comuns, o grande desafio seria ode estimular a produção de módulos interativos que possam se tornar aplicativos para TV digital aberta e gratuita, assim como, produtos cross media e estimular:
a.  centros de fomento e de distribuição de produtos audiovisuais interativos
b.  programas de formação e capacitação mão de obra especializada na produção de conteúdos audiovisuais interativos
c. Arregimentação e estímulo aos produtores independentes regionais e ao estabelecimento de cooperativas de produção.
d. Fornecer ferramentas de software para a produção destes conteúdos;
e.Intermediação na venda de seus produtos a distribuidoras e programadores.
Por que começar na África com modelos que podem servir para paises que já contam com diversas infraestrutura em rede e  proporcionar aos africanos a oportunidade de queimar etapas, chegar diretamente ao mundo digital e entrar pela porta da frente na sociedade do conhecimento? 
O mundo deve isto a eles, não acha?

     



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Vale a pena lutar pelo Ginga?

Fazer inovação neste País não é tarefa fácil. 

Idéías brilhantes e promissoras saem dos laboratórios e dos centros de pesquisa com expectativas altas de solucionar questões complexas, apresentar respostas para demandas em diversos setores, tornar-se benchmarketing  em implementação exitosa de suas especificações.

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Entretanto a distância entre o desejo de se estabelecer e a realidade fria e perversa dos números orçamentários das empresas, a disputa fratricida entre os projetos para merecer investimentos se soma a miopia de controladores e gestores em não perceber a qualidade destas inovações e suas potencialidades.

Uma corrida pela sobrevivência então se instala. E neste contexto, cotoveladas, gravatas, caneladas são a parte mais leve. Dificil é mesmo se livrar dos jogos de gabinete, das maledicências que implicam em retirar do páreo os concorrentes ao bolo de recursos disponíveis.

Middleware Ginga venceu grande parte desta corrida. Foi escolhido como elemento vital de interface entre diversas linguagens de programação, solução esta interamente nacional.

Tornou-se padrão UIT (União Internacional de Telecomunicações) tanto no campo das plataformas IP como no da radiodifusão. Portanto, segue sendo um produto interoperável disponivel. . Talvez o único já recomendado pela instituição internacional . Mas isto basta?

Não, senhores. O Ginga ainda não acreditado no mercado pelos interesses enviazados das propriedades intelectuais de outros padrões que mesmo com menor eficiência e amplitude, são defendidos, neste momento em que o setor discute padronizações universais. 

E o mais grave. Por aqui, ainda não deslanchou. 

Politicas de implementação das smart tvs ,  globais e principal produto das montadoras de dispositivos eletroeletronicos, por serem em mercados onde as circunstâncias economicas de infraestrutura são bem diferentes das que apresentam a grande maioria das paises do chamado  'mundo em desenvolvimento' não incluiram o Ginga. 

No Brasil estes fabricantes foram convidadas, pela PPB de 2011, a embarcar em seu terminais built-in, o Ginga em sua versão Full (NCL/Lua +Java ), mas apenas, a que se refere ao perfil A, exatamente o que tem conexão com as TVs BroadBand (Banda Larga). Estes abordam, apenas, o encapsulamento de aplicativos. Nada de videos interativos, que reproduz própria linguagem televisiva e que tanto sucesso faz, inclusive pela Internet através das redes sociais.Os viedos interativos necessitam do perfil C que ainda nem foram discutidos pelo Forum SBTVD.

Diante disto, cabe o questionamento? Existem programas que nasceram na Rede Web e que migraram com êxito para o ambiente da Radiodifusão? Existe uma linguagem audio-visual própria para a Internet?

Então porque não utilizar o óbvio. Usar uma tecnologia interoperável que codifique e decodique de modo universal as linguagens deste dois mundos, tão afins.

Mas, não. Outras explicações aparecem para que , aos poucos se vá minando esta posibilidade. Entre estas a que defende a hegemonia do tráfego IP para audiovisual, com soluções pagas. E baseadas em argumentos da concentração e verticalização desta realidade broadcasting. Será que o modelo de TV pública se encaixa nisto? Tenho certeza que não. 

Valer a pena apostar no Ginga. Mesmo que seja para que, no futuro, possamos contar aos nossos netos que existiu uma solução maravilhosa feito no Brasil para resolver a questão convergência das midias, mas que morreu como despareceram tantas outras idéias maravilhosas que não encontram guarida no mundo real.

Espero que quanto a isto,  eu esteja totalmente equivocado.

sábado, 17 de novembro de 2012

Euro-chip, uma revolução no Radio Digital? Ou o mesmo do mesmo?


A União Européia de Radiodifusão, EBU, lançou este mês de novembro uma  campanha para a implementação no do  Euro-chip a ser embarcado nos novos receptores de rádio digital, assim como,  nos celulares que segundo a associação, dará um novo impeto a projeto das emissões e recepções sonoras digitais.
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Euro-Chip integrará os principais standards tais como  os digitais (DAB/DAB+/DMB) e o  analógico (FM),convertendo-os num único e universal receptor cria
ndo um cenário interoperável e, de acordo com a EBU,  gerando importantes benefícios para os radiodifusores, industria e radio-ouvintes. 
Proprietários de qualquer dispositivo que contenha o Euro-Chip – incluindo smartphones e tablets– podem desfrutar de um recepção a custo zero de suas emissoras favoritas de rádio, mesmo quando cruzarem as fronteiras nacionais ou mesmo quando passarem da recepção do sinal analógico para o digital. 
A expectativa é a de que com esta inovação, os jovens passem a se interessar mais vivamente pelas transmissões das emissoras de rádio digital; As pesquisas realizadas pela EBU confirmaram que é o aparelho, ou terminal de recepção que importa e não especificamente o sistema de entrega que decide o que querem utilizar as pessoas.  
Parece lógico e óbvio, mas, por vezes, como nas discussões como estando ora vivenciando no Brasil, parece não ser, com as disputas em curso pela adoção de padrões específicos
A EBU discute algumas ações que justificariam  a massificação deste Euro-chip:
Eficiente uso de em sistemas de rede.  Euro-Chip facilita o trafego nas redes de telefonia móvel enquanto otimiza o uso das alocações de espectro radioelétrico para o rádio digital e analógico 
A audição custo zero.  Nos celulares, Euro-Chip permite que os ouvintes recebam os serviços de radiodifusão em qualquer parte sempre incremento de custos. Ou seja, os ouvintes não terão que pagar pela recepção radiodifundida.   
O Euro-Chip, deve criar um mercado europeu amigável para os dispositivos  pois permite atualizações e é interoperável, conversando com todos os sistemas de rádio digital existentes na Europa.permitindo a recepção de rádio em, dezenas de países do continente e apresenta um forte potencial para o desenvolvimento de serviços adicionais: que permitirá a crescimento de novos modelos de negócio e oportunidades criativas com a introdução dos processos de interatividade
As novidades não param se acontecer. Imagino que a Comissão que estuda o caminho para adoção de um sistema de rádio digital para o País ainda tem tempo para considerar também esta solução que foi apresentada pela EBU. 
Até para saber se esta inovação não é o mesmo do mesmo. 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Problema que afeta a todos, mas que ainda não tem solução: A Lei de antenas


O Senado Federal através da PLS 239/12 está num impasse. Visto como um projeto que procura sanar conflitos de competência entre os níveis de poder, especialmente o municipal, o documento foi examinado esta semana na Câmara Alta  por por quatro comissões em conjunto






A discussão acalorada entre funcionários de diversos órgãos do governo federal e das empresas do setor de telecomunicações foram pouco alentadoras. 

Imaginem só vocês. A par das pertinentes e prioritárias questões referentes ao meio ambiente, cujos estudos  e aprovações são fatores que antecedem as liberações e autorizações previstas em Lei para o andamento em si dos projetos técnicos de implantação de equipamentos de recepção e retransmissão de sinais, existe a questão dantesca das diferentes e complexas leis municipais que regulamentam a colocação das antenas nas cidades brasileiros.  

Em razão disto, urge uma decisão que faça com que investimentos por parte do setor privado, acompanhados dos aportes do setor público possam ser otimizados e principalmente estar sob regras harmonizadas e homogêneas.  Não está sendo nada fácil. 

O assunto já foi alvo do pronunciamento do Secretário-Executivo do MiniCom, Cezar Alvarez que chegou a declarar em julho deste ano, em Porto Alegre, que não permitiria a "demonização do tema das antenas" bandeira utilizada pelas operadoras como explicação para as dificuldades da melhoria da qualidade dos serviços de telecomunicações no País. 

Esta questão interfere sim, diretamente nos investimentos da construção de 'sites' que possam dar conta da universalização e massificação dos serviços de telefonia móvel, banda larga , etc. Mas como bem disse o Sr. Secretário, não pode ser utilizado como desculpa para os baixos resultados obtidos pelas ofertas de serviços, campeões de reclamações em todo o território, abarrotando as mesas dos advogados dos Procons.

Eis mais um tema que tem passado ao largo da opinião pública, até por suas características complexas , mas que poderia muito bem ser alvo de debates nos municípios, maiores interessados numa solução positiva para esta problemática ligada diretamente a implantação para todos de redes de serviços de informática, corporativas ou domésticas, a preços acessíveis a todos brasileiros

Na verdade o projeto de autoria do Senador Vital do Rego do Estado da Paraíba visa alterar a Lei nº 9.472/1997, para determinar que o licenciamento de obras de infraestrutura de telecomunicações seja competência exclusiva da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), sobrepondo-se  as outras normativas de caráter municipal. 

A consequência: acabar com as restrições para a instalação de Estações Rádio-Base (ERB's), nos municípios brasileiros e que, como dissemos, constituem-se em regras de caráter totalmente dispares e, não raro, embutem nos textos legais, verdadeiras aberrações técnicas que podem chegar até a dificultar as instalações destes vetores. 

Vale a pena acompanhar de perto esta importante questão e, se possível, ainda tentar colaborar com a tal discussõo para a decisão seja benéfica a todos, especialmente aos cidadãos.




quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Brasil e Japão. Parceria em discussão.

Quando por volta de abril de 2006, o governo brasileiro recebeu a missão japonesa encarregada de discutir a adesão do País ao sistema japonês ISDB-T de TV Digital terrestre, tivemos do lado oficial a surpresa em ver que a comitiva nipônica não estava preparada para discutir qualquer modificação aos planos originais de seu sistema. Não estava preparada para concessões, quanto mais para inclusões de padrões tecnológicos.



Houve constrangimento e, de certo modo, indignação em razão da situação. Ficamos com a decisão em aberto, chegamos a voltar a Europa para reiniciar contatos e em menos de vinte dias  os japoneses retornaram ao Brasil com uma lista de bondades, muito em razão da lista que os europeus já haviam sinalizado .

Os japoneses, em carta assinada pela Diretoria da ARIB,  ofereciam ajuda na implantação do sistema no País, além da criação de um GTC (Grupo de Trabalho Conjunto) onde se discutiriam, além da harmonização das normas, com o aceite da introdução de inovações brasileiras, igualmente as questões das cooperação tecnológica, grupo que  ficou equivocadamente conhecido como o grupo dos semicondutores.

O GTC também abordaria os temas referentes ao treinamento e capacitação de nosso técnicos,, propriedade intelectual e financiamento.

Aos poucos, exceto o grupo 1, de harmonização, os outros grupos foram se esvaziando. No dia 26
próximo, termos mais uma rodada do GTC, oitavo da série, inicialmente realizado duas vezes por semestre e que há dois anos já não se encontrava. Neste encontro, apenas dois grupos, dos originais, vão se encontrar. O de harmonização e o de treinamento e capacitação. 

É verdade que  o lado brasileiro está apreensivo com a situação. Não é um cenário no qual se pode ficar de braços cruzados. Há questões como o futuro da TV Digital, os projetos de integração das plataformas de radiodifusão e banda larga, a internacionalização da TV Digital e as respectivas propostas de ações conjuntas. A experiência nos diz que nada será fácil.  

Vamos acompanhar as novidades japoneses da integração tecnológica das plataformas digitais? Vamos aderir aos protocolos MM e do Hybrid Cast  e que fazem o contraponto com a oferta européia Hbb - que faz com que o Velho Continente volte ao jogo da TV Digital em todo o mundo-?

Qual será a interpretação das regras do acordo original com relação a atualização do sistema e sobre a  sua propriedade intelectual? 

Os japoneses parecem não querer discutir o futuro. Afirmam que o acordo restringe-se ao acordo de 2006.

Com certeza está não é a interpretação sobre a temática do grupo 2, o da cooperação tecnológica entendida pelas autoridades brasileiras, como tendo o sentido de estender esta cooperação às novidades futuras a serem adicionadas ao sistema ISDB-T. Esta celeuma está  igualmente presente no grupo 4, o de propriedade intelectual. 

O grupo 5, o de financiamento só se reuniu por ocasião dois primeiros encontros. E o único ato concreto deste grupo foi a realização, sob os auspícios do JBIC, banco de fomento japonês, dos estudos realizados pela NHK/Marubeni em relação o cenário da TV Públicas no Brasil e a viabilidade econômica de um Operador de Rede de TV Digital Terrestre, a exemplo do existente em diversas partes do mundo e especialmente no território japonês. Mas isto foi em 2007. E mais nada.  

O governo brasileiro vai propor a abertura de novos grupos, entre estes, os mencionados acima como temas de interesse do Brasil somado, é claro, a um, especifico, sobre cooperação na questão do Swicht Off, o apagão analógico da Televisão Brasileira. 

O tema dos semicondutores merece uma postagem específica que prometo fazer mais a frente. 


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Internacionalização da sistema nipo-brasileiro. Problemas à vista

Quando em 2006, a então Ministra Dilma Rousseff esteve na Argentina e no Uruguai informando formalmente aos governos destes países vizinhos (seguimos, seus assessores,  na sequência para o Paraguay, com o mesmo objetivo) sobre a decisão brasileira de adotar o padrão de modulação BST-OFDM do sistema japonês ISDB-T para a TV Digital, começamos concretamente nossa batalha de convencimento pela adoção regional do sistema nipo-brasileiro que nascia.  

(Google images)
Entre as inúmeras viagens que fizemos a todos os países da America do Sul, América Central e África obtivemos êxito em quase todos, exceto à Colômbia e Panamá nas Américas (entre os que ainda não haviam decidido por nenhum sistema até aquele momento)  os países africanos, cujo cenário bem distinto do americano, ainda está em fase embrionária de implantação.  

Este processo teve , além da inestimável colaboração do ex-presidente Lula que, percebendo seu alcance  escreveu diretamente de próprio punhos mensagens a seus colegas presidentes dos países amigos latino-americanos e africanos. 

Seus enorme prestígio internacional abriu para portas para o nosso trabalho de convencimento, especialmente em visitas a esses países, quando sempre tinha um tempo, em sua intensa agenda, de solicitar a atenção dos mandatários dos países que visitava para a adoção de sistema de TV Digital que propiciasse com seu uso a inclusão digital e social  de seus usuários. 

Hoje mais de 15 países adotam o sistema nipo-brasileiro em todas as partes do mundo com mais de 650 milhões de pessoas potencialmente dispostas a sua oferta como plataforma digital.  Entretanto, as mais recentes noticias que recebemos deste grupo de países não é  tão alvissareira.

A Argentina, depois de não concordar com o uso da linguagem procedural Java como integrante do projeto Ginga, partiu para o desenvolvimento isolado desta plataforma de middleware e o consequente desenvolvimento da interatividade com limites mais amplos de uso, incluindo-se ai os videos interativos, canal de retorno e up grade de software pelo ar. 

Já são mais 2 milhões de terminais de conversão digital entregues a polução, mais 2 milhões previstos para 2013 e cerca de 1.200 milhões de  tablets com Ginga, todos usando a linguagem declarativa NCL/Lua, desenvolvida originalmente no Brasil pela PUC-RJ  

O Chile em reunião de grupos acadêmicos de toda a região para discutir interoperabilidade de sistemas e do qual participaram membros do governo chileno, acusaram o Brasil de não estar cumprindo os acordos realizados entre os países à época da adoção do ISDB-T 

Uruguai, Paraguai , Bolívia, Equador e Venezuela vão pelo mesmo caminho. A propósito, cresce a cada dia que passa, em razão deste hiato provocado por este cenário de inércia, a substituição das ações integradoras pelo uso de serviços interativos na TV Digital. gratuitos e inclusivos em grande amplitude pelas que defendem o uso das tecnologias por IP, pagas e de alcance limitado a curto prazo em toda a região.

Falam em exportação do atraso tecnológico pelo Brasil para região. Que absurdo.  Só quem defende a substituição dos conteúdos audiovisuais pagos pelos gratuitos é que  pode pensar assim. Não utilizar a televisão radiodifundida gratuita como processos de integração tecnológica e de acesso a informação para as regiões mais deprimidas economicamente em todo mundo - são cerca de 4.6 bilhões de pessoas sem internet no planeta e com acesso a TV - é pensar sob o ponto de vista da segregação.

Vamos caminhar juntos, todos países e  instituições tecnológicas do setor digital para o mundo convergente. Temos que fazê-lo sob  o risco inexorável da exclusão digital e social

Mas quem tem este compromisso?

domingo, 11 de novembro de 2012

O Futuro da TV Digital Terrestre


Estive em setembro no IBC, grande feira européia de equipamentos e serviços do mundo da Radiodifusão  que se realiza anualmente em Amsterdam , Holanda e que reúne não apenas, um estimulante diálogo técnico com  expositores, mas oferece um estimulante conjunto de apresentações e conferências imperdíveis. 

Entre estas, pude ter acesso alguns novos rumos preconizados para TV Digital Terrestre neste tempo de convergência.  A EBU, European Broadcasting Union, que congrega os principais radiodifusores do Velho Continente, especialmente os de perfil público, distribuiu um material interessantíssimo no qual faz recomendações ao seus associados sobre o futuro da  Radiodifusão Digital Terrestre. 



Vamos visitar alguns dos pontos mais relevantes destas recomendações:

1. A EBU sugere a adoção de atitudes proativas na promoção dos interesses da comunidade da radiodifusão nos níveis regionais e internacionais

2. A discussão com reguladores e radiodifusores a cerca de uma estratégia nacional para transição para o radio digital terrestre.  

3. Esforço conjunto dos radiodifusores em desenvolver receptores de radio multi-standard ( atenção, Ministério das Comunicações, eis aqui uma sugestão dos europeus para os europeus e que admite a necessidade de receptores multi-standard ) para facilitar a transição para a radiodifusão digital. 

4. Considerar a introdução e progressiva transição para o standard  DVB-T2 na razão de cooperar com as demandas por capacitação e qualificação técnica e humana nos países onde DVB-T e DVB-T2 possam precisar de coexistência por um longo período de tempo ( Atenção, Itamaraty, vejam a  estratégia de expansão dos europeus claramente voltada para África e que deve ser, a meu ver, tema de debates no próximo encontro do colóquio Brasil-Japão.)

5.Estimular a discussão dos requerimentos de uso de espectro radioelétrico tendo em vista as decisões de uso dos meios escassos a curto e longo prazos.

6.Projetar redes digitais para uso indoor visando equipamentos de recepção móvel e portátil onde seja comercialmente factível. 

7.Considerar o perfil T2 ( equivalente ao nosso One-SEG ) como tecnologia de radiodifusão para oferecer serviços de TV para receptores móveis e portáteis. ( poderíamos estar na frente neste quesito, não acham?)

8.Encorajar as manufaturas  para integrar seus celulares com aparatos de recepção de sinal de TV. Bom tema, este para uma futura postagem. Prometo fazê-la. 

9.Investigar soluções alternativas onde a cobertura indoor dos sinais de TVD sejam inadequadas.

10.Desenvolver um conceito de transcodificação dos sinais de radiodifusão para tecnologias IP. 
- Ei, Europeus, o Ginga é um conjunto de dois padrões ITU ( International Telecommunications Union ) de middleware que já resolve esta questão-

11.Trabalhar pela harmonização do padrão Hbb ( Hybrid Broadcast and BroadBand TV ) levando em conta os interesses da comunidade de radiodifusão, assim como a  dos telespectadores e ouvintes.

12. Envidar esforços no sentido do desenvolvimento de redes hibridas e dos respectivos aparatos de recepção. 

13. Estudar a viabilidade do uso de banda larga móvel para distribuição de conteúdos radiodifundidos. Por-se em marcha  com a indústria de celulares no processo de integração dos serviços de radiodifusão e banda larga.

Quem se interessar em ler o relatório 013 da EBU completo, clique aqui

sábado, 10 de novembro de 2012

Conteúdos digitais. A chave do paraíso.

Logo após o anúncio da adoção pelo Brasil do sistema nipo-brasileiro de TV Digital ISDB-T em junho de 2006, recebi um telefonema de um graduado funcionário da representação da Comunidade Européia em Brasilia. Estava desolado.

(Google images)


Argumentava este diplomata europeu que tal decisão comprometeria o futuro desenvolvimento de ações conjuntas entre Europa e Brasil e que, especialmente, este ato soberano do País seria alvo de 'incompreensões irreparáveis', me parece ter sido este o termo utilizado.

Seu amargor era compreensível, pois a Europa dava como certa a entrada do Brasil no clube do DVB-T, com tudo o que isto implicava para os negócios europeus na América do Sul.

Respondi a ele que seu discurso fazia sentido enquanto observado como decisão estratégica de investimentos da indústria de hardware, mas que não implicava em perda de oportunidades em relação ao principal tema em questão: os softwares e os conteúdos digitais audiovisuais. 

Ali estava o tesouro. E  que a decisão anunciada, escondia outra dimensão para os negócios, a meu ver, mais substanciais e que não estavam exatamente em jogo a com a decisão por uma modulação X ou Y.

Encontramo-nos algumas vezes depois e recentemente, em conversa sobre o piloto do Operador da Rede  de TV Digital Pública Federal e que está em vias de iniciar suas ações dentro de poucos dias, recebi dele a concordância sobre o tema discutido naquele telefonema de anos atrás.

E falamos sobre interatividade, como tal processo poderia dar certo considerando-se ai os erros cometidos por alguns países europeus quando da implantação da TV Digital como, por exemplo, a falta de arrojo dos países da Comunidade em assumir institucionalmente o programa da interatividade.

E, obviamente, das consequências adicionais  de um programa com tal amplitude como o treinamento da população em todos os níveis, ensinando-os a usar a TV participativa, com suas janelas de aplicativos e videos interativos. 

E que estariam, os europeus, fortemente interessados em acompanhar o desenrolar deste processo de implantação no Brasil e disputar qualquer certamente licitatório futuro. 

Nada como um dia atrás do outro. Percebida a grandeza do que representa para os investimentos do setor  de telecomunicações e comunicação de massa, o transporte de dados, agora o consenso aponta para os  conteúdos como a bola da vez. Mas sempre foram a chave do paraíso, não é verdade?

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Interatividade. Quem dá mais?

A Interatividade veio para ficar com o advento da TV Digital?

A questão da interatividade na TV Digital Aberta é algo que tem sua implantação sempre colocada em xeque.

A razão deste cenário nebuloso pairar sobre a introdução de aplicativos e videos interativos junto a programação da TV Aberta e paga  se deve a alguns fatores que, de certa forma, são estranhos ao ato de interagir e se produzir conteúdos interativos para TV em geral.

Vamos refletir sobre alguns destes temas:

Desde que se produziu , por volta de 2005, sob os auspicios dos professores Luiz Fernando Soares e Guido Lemos, a fusão de seus projetos de middleware  de cujo casamento nasceria o Ginga, a interatividade passaria a integrar todo o conceito da estruturação da TV Digital no Brasil e, posteriormente, com sua expansão internacional , a dos  nossos vizinhos latino-americanos e africanos.

Muito se especulou sobre o seu uso da interatividade, através dos serviços de governo interativos exibidos através da TV Digital Aberta até hoje, restritos no Brasil ao público que detem computadores e outros aparatos portáteis conectados a serviços de banda larga. Seria excelente aproveitar  a realidade de um pais televisivo com mais de 95% de residências e que utiliza este serviço cotidiana e gratuitamente.

Mas aí começam as contradições. O Fórum da TV Digital, SBTVD, excelente iniciativa proposta pelo decreto presidencial nº 5.820 de 29/06/2006 , como todo espaço democrártico, por vezes, chega a impasses motivados por interesses diferenciados defendidos por seus atores provenientes de diversos setores da Economia, da Academia e do Governo Federal.

Por exemplo, quando se discutiu o perfil do Ginga, houve tensão. Enquanto os representantes das universidades proponenetes de sua especificação, lutavam por conquistar espaços para avanços que o tornassem convegente com as plataformas digitais IP, de processos interativos que utilizassem tanto aplicativos como videos interativos, outros segmentos do Fórum SBTVD traziam para mesa de negociação suas propostas de redução do escopo do Ginga.

Os argumentos:

Da industria de recepção - a afirmação de que, por um lado, não há mercado de interatividade desenvolvido no País que justifique investimentos pesados no chamado perfil avançado Ginga. Não há aplicativos no ar, não desenvolvimento, não desenvolveu sequer uma suite de testes e um guia de referência para garantir que os padrões sejam compativeis com as normas ISDB-T/ABNT.

Tanto é assim que o acordo das fabricas de manufatura  com o Governo Federal com relação a regra de obrigatoriedade do Ginga e que começa a vigorar a partir de 2013 está baseado no perfil A da norma e que prevê, apenas, aplicativos interativos, correlacionados como linguagem e modelo,  às lojas de aplicativos oferecidas pelas TVs hibridas, Broadcasting TVs ou Smarts TVs.

Portanto, videos interativos, que utilizam liguagem especialmente televisiva estão fora do acordo.

Da radiodifusão:  - Apesar do esforço das emissoras comerciais em afirmar que já utilizam grande espaço de sua programação para oferecer interatividade, tal ação está relacionada aos primeiros passos deste serviço como funções multi-tela nem sempre relacionadas com os conteúdos que estão sendo exibidos concomintantemente no ar e sem usar linguagem televisivia, como, por exemplo, através de vídeos interativos.  Na verdade, o que se oferta são aplicativos com a mesma filosofia de linguagem das plataformas por IP.

Como, ao contrário, o uso dos smart phones e tablets entre o público que tem acesso a serviços de banda larga em todo o mundo utilizam 60% do seu tempo de uso das redes sociais para comentar o que veem na TV Digital, seja aberta ou paga, esta informação estatistica somada a da oferta exclusiva de aplicativos pela TV Digital interativa parece extremamente incoerente.

E mais. Não há ainda modelos de negócio nem para TV Aberta Digital nem para a TV por assinatura Digital  que possam prescindir da atenção do telespectador da apresentação sequencial de comerciais inter-programas e que paga a conta destes serviços.

Assim, cabe a TV pública digital interativa e seus serviços interativos de T-governo responder a pergunta: A Interatividade veio para ficar com o advento da TV Digital?

Acreditamos ser esta TV pública Digital interativa que pode, não dependendo dos investimentos publicitários e, sim, de apoios intitucionais e de caráter cultural e educativo, oferecer esta interatividade que pode mudar o curso da história do uso da TV pelos telespectadores. 

E, com o uso pela audiência dos conteúdos interativos, somada ao já arraigado hábito diuturno de ver TV  poderemos sim, medir se este processos pode ser útil, social e economicamnte.

E, diga-se de passagem, não acredito em exibição de interatividade na TV comercial que ultrapasse a mais 15% de sua programação diária, considerando-se Portanto, tem que ser considerado este serviço como um valor a ser acrescido as receitasque já existem, sem mudanças radicais de método.   

Sobre este tema, prometemos nos aprofundar em postagem futura neste Blog.

Mas, claramente, servirá a interatividade para colocar a TV, por tanto tempo, via de uma única mão de informação, como plataforma de participação, convergindo com os serviços  bi-direcionais oferecidos pelas telecomunicações.  E assim assegurar o seu lugar no futuro

Esperamos que sim , pelo bem da própria TV Digital.